outono/inverno 2012-13

Alta-Costura em Alta

 Alexandre Vauthier

Alexis Mabille

Armani Privé

Bouchra Jarrar

Eu sempre sonhei em cobrir as temporadas de moda mundo afora, mas depois de alguns anos no entra e sai das salas de desfiles e vendo a multiplicação absurda do número de shows por temporada, a coisa perde um pouco a graça. Ainda bem que existem os desfiles de alta-costura!

Chanel

Christian Dior

Christophe Josse

Elie Saab

Além de durarem poucos dias e de ter um line-up enxutíssimo, a temporada da couture ainda guarda algo que o prêt-à-porter perdeu há muito tempo: o foco nas roupas. As semanas de moda regulares viraram espetáculos tão midiáticos que os looks da passarela ficaram em segundo (ou terceiro, ou quarto) plano, afinal é preciso fotografar o street style, as editoras e celebridades na primeira fila, fazer Instagram nos bastidores e tuitar tudo em tempo real que não sobra tempo para apreciar a modelagem e a construção de uma roupa, o conceito que foi aplicado na coleção e os detalhes que diferenciam uma grife de luxo.

Giambattista Valli

Givenchy

Jean Paul Gaultier

Maison Martin Margiela

Na alta-costura isso ainda é possível! E com a chegada de Raf Simons na Dior, o segmento ganhou mais frescor, perdendo aquela aura de “roupa para senhoras milionárias, celebridades no tapete vermelho e festas de gala que a gente só vê na Vogue”. Os países emergentes mandam novas clientes endinheiradas, mas elas também estão acompanhadas por uma nova geração não apenas interessada em vestidos exclusivos, mas também em roupas sofisticadas e que podem ser usadas em outras ocasiões sociais – vide o número de looks de calças, feitos para o dia. Ainda que uma parcela mínima da população possa consumir os produtos, há um espaço crescente para eles no faturamento das grifes. E como não há sensação melhor do que se encantar com um trabalho artesanal, feito pelos melhores profissionais do mundo (e isso inclui costureiras, bordadeiras, modelistas – as figuras que não aparecem mas são fundamentais), longa vida à alta-costura!!!

Stephane Rolland

Valentino

Versace

Zuhair Murad

Tendências Outono/Inverno 2012-13: Conjuntinho

Uma das regras principais de qualquer manual de estilo é não adotar o “look total”, ou seja, se vestir dos pés a cabeça com a mesma estampa. Mas como toda regra tem sua exceção, o infame “conjuntinho” está de volta, valendo até em bolsas e sapatos nas mesmas padronagens da roupa. A inspiração vem dos anos 60 e 70, mas em 2012 merece certos cuidados e é uma daquelas tendências que fica bem melhor na passarela do que nas ruas…

Miu Miu

Louis Vuitton

Prada

Marni

Semana de Moda de Paris: Louis Vuitton, Miu Miu e Elie Saab

E a temporada de desfiles para o outono/inverno 2012-13 terminou na “estação” Louis Vuitton com Marc Jacobs colocando todo mundo pra viajar de trem e recordar os bons tempos do cavalheirismo, quando os homens carregavam a bagagem feminina! Enquanto as bolsas e malas estavam nos braços dos carregadores, as modelos usavam looks super elaborados, num jogo de proporções de saias e vestidos sobre calças, casacos alongados, muitos bordados e aplicações luxuosas, como, por exemplo, nos broches que substituíam botões. Com a exposição no Musée des Arts Decoratifs, não havia melhor maneira de Marc Jacobs fechar a semana e reafirmar seu talento. Mas, claro, boatos de que ele vai para a Dior e Raf Simons ficará em seu lugar circularam hoje pela internet.

Na Miu Miu, Miuccia Prada deu continuidade à ideia trabalhada na Prada, com muitos terninhos de calça cropped e aquele clima retrô dos anos 60 e 70 nas estampas gráficas e psicodélicas. As únicas exceções foram os vestidos tubinho do final, com pedras aplicadas, no estilo Paco Rabanne.

E Elie Saab deixou as cores um pouco de lado e trouxe referências futuristas e dark, à la “Blade Runner” e “Metropolis”. Saias lápis, basques, jaquetas e capas em tweed dominaram a primeira parte, enquanto os famosos longos fluidos apareceram no final, com toques de verde e dourado metalizados.

Tendências Semana de Moda de Paris: Dia 8

Metal: tecidos em ouro, prata, bronze e outros tons dão o brilho necessário a qualquer look. (Paul & Joe e Paco Rabanne)

Texturas: lãs, tweeds e peles trabalhadas. (Alexander McQueen e Chanel)

Couro: em vestidos, macacões, blusas: o material da temporada. (Hakaan e Valentino)

Bordados: de flores, pedras ou cristais. (Valentino e Chanel)

Semana de Moda de Paris: Chanel e McQueen

Depois de uma viagem ao fundo do mar na primavera, Karl Lagerfeld nos levou a explorar o centro da terra e seus minerais. Na linguagem da Chanel, isso se traduziu numa cartela com muitos tons de joias (ametista, esmeralda, safira), além de cinza e preto, e em formas com referências aos cristais das minas. Tudo trabalhado em muito tweed, lãs e com leves toques esportivos.

Na primeira parte, as sobreposições foram o destaque, com vestidos em A sobre calças cropped ou jaquetas quadradas sobre mini saias. Depois foi a vez dos tecidos metálicos ou transparentes, coloridos, e com tratamentos especiais, incluindo aplicações holográficas. Entre os acessórios, o híbrido de botinha e sapato boneca era sensacional, as bolsas eram pequenas e as joias imitavam cristais “colados” artesanalmente.

Seguindo a tradição de Alexander McQueen em criar uma história completa para seus desfiles, Sarah Burton imaginou um futuro muito particular e positivo para o inverno da marca. Assim, as roupas foram evoluindo na passarela, como se transformassem bem na frente do público. Começando pelos mini vestidos de lãs e plumas, com óculos-máscara e cintos de guerreira medieval, seguidos pelas peças em rendas e pompons que mais pareciam dandélios, aquela flor leve como o vento, o desfile terminou com longos inteiros de peles de plumas que eram quase mágicos. A cartela do branco ao pink, passando pelo preto, cinza e rosa bebê seguia o mesmo principio. Comercialmente, a coleção era impossível. Mas a essa altura, tudo que a gente quer ver é um pouquinho de arte e poesia na passarela. E neste quesito, ninguém supera McQueen!

Tendências Semana de Moda de Paris: Dia 7

Esporte: a proximidade das Olimpíadas reforça o gosto pelo atletismo, principalmente em Stella McCartney, responsável pelos uniformes da delegação britânica! (Chloé e Stella)

Xadrez: variações da estampa aparecem num dos temas principais da temporada: country x urbano. (Chloé e Giambattista Valli)

Op Art: os grafismos e estampas geométricas à la anos 60 dão ares divertidos aos looks. (Giambattista Valli e Pedro Lourenço)

Poder: mulheres poderosas, que adoram couro e tem um pé nos anos 80 e outro no fetichismo estão por toda parte! (YSL e Loewe)

Tendências Semana de Moda de Paris: Dia 6

Equestre: a equitação foi a inspiração do dia para Givenchy, Galliano e Hermès. Calças jodhpur, muito couro, casacos montaria,chapéus e alfaiataria caprichada deram o clima do esporte-chic. (Givenchy e Hermès)

Baby doll: babados, rendas, meias 7/8 e inspiração na  lingerie. (John Galliano e Givenchy)

Lenços: coloridos, usados como gravatas, sempre na região do pescoço. (Hermès e Céline)

Botas: acessório que não pode faltar. (John Galliano e Givenchy)

Tendências Semana de Moda de Paris: Dia 5


Cores Vivas: laranja, vermelho e azul vibrantes levantam qualquer look. (Comme des Garçons e Haider Ackermann)

Volumes: formas cocoon e exageradas são para as mais corajosas. (Comme des Garçons e Vivienne Westwood)

Calças: este foi o dia das calças: pantalonas, retas, slim, cropped… (Jean Paul Gaultier e Haider Ackermann)

Peles: o material (falso ou verdadeiro) é sinônimo de glamour decadente. (Viktor & Rolf e Jean Paul Gaultier)

Tendências Semana de Moda de Paris: Dia 4

Geometria: efeitos gráficos e jogos de cores para um efeito “op-art”. (Chalayan e Maison Martin Margiela)

Calça curta: as cropped pants são hits na temporada parisiense. (Isabel Marant e Sonia Rykiel)

Minimalismo: linhas retas e puras são sempre bem-vindas. (Chalayan e Vionnet)

Golas: a obsessão da temporada. (Lanvin e Maison Martin Margiela)

Lady: o desejo de glamour vintage vai longe. (Christian Dior e Roland Mouret)

Semana de Moda de Paris: Dior e Lanvin

A situação de Bill Gaytten na Christian Dior é delicada. Se por um lado, a grife comemora a boa fase nas vendas, por outro, a indefinição quanto ao sucessor de John Galliano, o deixa “amarrado” numa posição desconfortável, de “tapa-buracos”. O desfile de ontem foi muito correto, comercialmente falando, mas nem de longe teve aquele impacto da era Galliano. Pode ser que esta seja a nova fórmula de sucesso da Dior, mas enquanto ninguém bater o martelo, fica difícil avaliar o cenário.

Voltando às roupas, elas vieram inspiradas dos anos 50, com muitas saias abaixo dos joelhos, jaquetinhas com basques e cintura marcada, além de calças cropped e vestidos em A. A cartela de cinzas e rosados garantiu o glamour vintage, reforçado pelos longos de tule do final, pelas luvas 7/8 e pelos bordados de cristais.

Já na Lanvin, o clima não podia ser mais festivo. Alber Elbaz comemorou 10 bem-sucedidos anos à frente da grife centenária e que até a sua chegada estava adormecida. Para celebrar, nada melhor do que os vestidos coquetel coloridos que se tornaram sua marca registrada, estruturados, com pequenos detalhes e acompanhados de belas joias. E ainda teve looks em estampa floral, basques, detalhes em couro, pele e brocados. A noite terminou com um show do próprio Alber e a certeza que os próximos 10 anos serão de muitos hits!