marketing de moda

Os Primeiros Passos da Minha Carreira em Londres

Quando comecei a procurar trabalho depois do mestrado, devo ter enviado meu currículo para dezenas de vagas em menos de um mês. Não recebi nenhum feedback além daquelas respostas automáticas e sequer fui convidada para uma entrevista. Entrei em contato com vários recrutadores também, alguns me responderam, outros poucos me ligaram e ficou por isso mesmo. É claro que fiquei bem frustrada pois acreditava que com o mestrado e algumas experiências aqui em Londres não seria difícil encontrar trabalho.

Foi aí que me toquei que minha frustração não era porque não tive respostas mas porque estava aplicando para um monte de posições que no fundo não tinha o menor interesse. Às vezes mal lia as descrições do trabalho, mandava por mandar, só para ter aquela (falsa) sensação de estar fazendo a minha parte. Mas como tudo na vida, fazer por fazer não traz resultado algum. Então, a ficha caiu.

Meu objetivo quando vim pra Londres, além de realizar o sonho de fazer mestrado na London College of Fashion, era buscar as oportunidades que nunca teria no Brasil. Isso incluía continuar trabalhando com archetype branding, que foi o tema da minha dissertação, e o plano era ter um escritório de consultoria no futuro. Só que o futuro virou presente.

Pelos meios tradicionais, ou seja, sendo funcionária de uma empresa, seria extremamente difícil ter autonomia e liberdade para desenvolver esse tipo de projeto em identidade de marca. Por falar em liberdade, ela sempre permeou minhas decisões profissionais e é a grande razão de nunca ter trabalhado seguindo o esquema de 09 às 18h. Nada contra, mas na minha concepção não é assim que você é mais produtivo, pelo contrário, as distrações constantes de um escritório, as reuniões inúteis e toda aquela politicagem com chefes e coleguinhas são puro atraso de vida. Sempre tive muito mais concentração e produtividade trabalhando sozinha, organizando meu dia de acordo com tarefas, independente de horários.

Entender que não precisava me adaptar aos padrões só porque sou estrangeira aqui ou porque é “mais seguro” em termos financeiros foi um passo essencial, assim como perceber que o mestrado me deu o caminho das pedras do empreendedorismo e tudo que precisava era colocar em prática o que aprendi (parece óbvio, mas às vezes a gente precisa de um tempo pra digerir certas coisas). Por fim, relembrar a importância de ser honesta consigo mesma e ter a noção de onde se quer chegar – algo que reforço revendo este vídeo da Garance Doré com a Diane von Furstenberg, são constantes empurrõezinhos para seguir em frente.

Desde a minha decisão, que aconteceu há cerca de 2 meses, comecei a me apresentar como freelancer brand strategist, criei um Meetup para fazer network e trocar ideias, e fechei meu primeiro contrato! Nada mal, não é? É claro que ainda tenho um longo caminho a percorrer, porém acredito 100% que quando a gente faz o que ama, o universo conspira e as coisas fluem (é clichê mas é verdade!). Agora é só preparar as cenas dos próximos capítulos!

Uma Nova Era para a Calvin Klein?

Se você tem idade suficiente para lembrar do sucesso do perfume CK One também deve lembrar como a Calvin Klein reinava absoluta nos anos 90. Das campanhas da CK Jeans com Kate Moss e Mark Wahlberg passando pelos desfiles que ajudaram a definir o estilo minimalista, sem contar os anúncios memoráveis do Obsession e Eternity, a marca despertava desejo entre adolescentes, editoras de moda, celebridades e it girls (afinal, Carolyn Bessette, ícone máximo da época, trabalhou lá antes de casar com John Kennedy Jr.)

Fast forward para 2016 e qual foi a última vez que a Calvin Klein chamou sua atenção? Ok, Kendall Jenner e Justin Bieber são os rostos das linhas Underwear e Jeans, e Francisco Costa teve várias coleções elogiadas pela mídia nesses 13 anos que ficou à frente da Calvin Klein Collection. Mas, provavelmente, a notícia da saída dele e de Italo Zuchelli (responsável pelo masculino) é a única coisa que vem à mente, né?

Talvez pelo excesso de linhas, produtos e preços médios que vão do quase popular ao luxo, uma fórmula que está se esgotando, talvez por tentar recriar momentos icônicos do passado, em vez de se adequar aos novos tempos. Exemplos: Lottie Moss, irmã da Kate estrelando a campanha da CK Jeans e o perfume CK2 lançado como o aroma da geração millennial não diz nada a eles… O fato é que desde a saída de seu fundador, a Calvin Klein deixou de inovar e lançar tendências para apenas segui-las. Com isso, a imagem foi inevitavelmente enfraquecida.

A provável contratação de Raf Simons como diretor criativo de todas as linhas pode ser uma luz no fim do túnel muito bem-vinda para a companhia. Sua estética minimalista, a interação com o mundo das artes e uma visão menos acelerada da moda poderiam trazer novamente a relevância e harmonia, além de renovar a identidade e o interesse pela marca.

Pelas imagens acima, com campanhas antigas e recentes, dá para notar que a Calvin Klein precisa mais do que a presença de Kendall e Justin para se atualizar…

Carta Aberta a Miuccia Prada

Querida Miuccia,

Queria começar esta carta dizendo que você é uma das razões de eu trabalhar com moda. Era adolescente nos anos 90 quando descobri um novo mundo nas páginas da Vogue – e a Prada era uma das personagens principais. Aqueles looks vintage-intelectual me fascinaram em uma época em que a moda ainda não era tão acessível. Ano após ano, esperava ansiosamente pelo novo desfile (vendo as fotos no Style.com) para conferir como você ia mudar completamente os rumos. A combinação de cores, as formas, as texturas, os detalhes espertos – que podiam ser um broche, uma estola de pele, o salto de um sapato, uma nova forma de carregar a bolsa… Miuccia, você me enchia de inspiração!

Porém, os anos passaram e mesmo com sua criatividade surpreendendo sistematicamente a indústria, a empresa têm passado por períodos não muito otimistas. Entendo como é difícil gerenciar uma marca global, a pressão de ter aberto capital, a demanda por expandir a grife e por aí vai. Bolsas, sapatos, perfumes precisam ser vendidos. Em grandes quantidades! De repente, vejo as bolsas em muitos lugares e elas se tornam menos cobiçadas. Vou a diferentes shoppings nos EUA, aqui no Reino Unido e no Brasil e a Prada está por toda a parte. Não é mais tão exclusiva, não é mais tão cool. Ficou onipresente, óbvia, previsível. Três adjetivos que são o oposto do que a Prada representa, o que me entristece muito.

Então, Miuccia, como recuperar essa época de ouro? Você é uma Criadora, não abra mão do seu ponto de vista, não tente seguir os outros. Adoraria ver um mix melhor entre roupas e acessórios e a influência das artes ser usada de uma maneira subversiva para encantar novamente a sua cliente. Sei que o maior desafio para uma marca de luxo é crescer sem perder a aura de raridade. Isso é muito difícil atualmente.

De alguma forma, nos acostumamos com a onipresença da Louis Vuitton, da Gucci e de várias outras, mas não da Prada. Você precisa mesmo de tantas lojas? Não seria melhor investir mais nos epicentros e limitar outros pontos de venda? Agora vamos falar de um assunto quase proibido: digital. Sei que você não gosta e que a presença da marca nas mídias sociais é sofrível, quase constrangedora. Mas uma empresa tão ligada a arte e a quebrar padrões podia fazer muito mais do que postar clippings de celebridades ou closes de produtos. O mesmo vale para o site e para o e-commerce. Apesar do site ter melhorado o layout e a loja virtual ter uma seleção razoável de produtos, sabemos que isso não é suficiente e a experiência de compra é decepcionante. Concordo que os filmes são maravilhosos, mas eles estão criando impacto? Desculpe a honestidade.

Talvez as equipes de design e de marketing pudessem trabalhar mais alinhadas para garantir uma melhor comunicação da imagem da marca, o que infelizmente não está acontecendo. Miuccia, sei que as coisas não estão fáceis e que um monte de planilhas de Excel devem ser jogadas em sua mesa com metas financeiras a serem alcançadas. Um saco. Ignore-as e foque no que realmente importa: as suas criações.

Ainda assim, lembre-se que até os melhores produtos precisam ser vendidos de uma forma que mostre como eles são incríveis. Estou torcendo para ver seus conceitos fora do padrão serem usados para resolver essas questões gerenciais dentro da marca.

Ah, o desfile de outono/inverno 2016 foi excepcional, ok?

Att,
Mirela

Paul Smith: A Arte do Cool

Se você já entrou em uma loja do Paul Smith, provavelmente lembra daquela sensação de estar em um “gabinete de curiosidades”: entre objetos divertidos, fotos, pinturas, livros etc. você encontra ternos e peças super bem cortadas, com suas inconfundíveis listras coloridas e estampas irreverentes. O designer representa a excentricidade inglesa de uma forma que poucos podem sonhar em conquistar. Seu senso de humor e ironia combinados a uma paixão pelas tradições são os ingredientes de uma empresa bem-sucedida há mais de 40 anos.

A trajetória de Paul começou em 1970, em Nottingham, junto com a então namorada (hoje esposa), Pauline, uma estudante de moda. Inspirado nos alunos de Belas Artes que encontrava no pub local, resolveu abrir uma loja e começou um curso de alfaiate para entender como modelar e produzir uma roupa. Em 1976, sua primeira coleção masculina foi desfilada em Paris e desde então a marca se expandiu com linhas femininas, infantis, de acessórios, sapatos, perfumes, óculos e até tapetes e louças.

Tudo isso pode parecer um mix descoordenado, mas é parte de uma identidade de marca bem consistente, presente em uma campanha irônica ou uma loja com objetos excêntricos ao lado dos ternos.

Todos os elementos contribuem para reafirmar o arquétipo do Criador. A influência das artes é vista não só na decoração das lojas, nas estampas e no uso das cores, mas também na forma como a logo é apresentada, muitas vezes como a assinatura de um artista na obra. Além disso, Paul Smith tem orgulho da cultura inglesa e adora exibir a Union jack e seus ternos impecavelmente cortados, mas de uma maneira que subverte o clássico como quando brinca com gêneros e situações sociais. Sua criatividade construiu um mundo que é ao mesmo tempo familiar e surpreendente. Tem como ser mais cool que isso?

Como Criar uma Marca? Passo 6: Marketing e Comunicação

Você já parou para pensar na quantidade de marcas a que estamos expostos diariamente? E em quantas delas você realmente presta atenção? Poucas, né? Provavelmente as que se destacam são as que trabalham muito bem as estratégias de marketing e de comunicação, o nosso assunto de hoje.

De uma forma bem direta e objetiva o marketing existe para o consumidor enxergar os benefícios (reais ou fictícios) de um produto. Quando ele é bem feito, o cliente não vai apenas olhar com carinho para a mercadoria como também vai desejá-la intensamente e ainda contar para todo mundo que teve uma ótima experiência de compra. Então, como preparar o terreno para chegar a este estado de graça?

A estratégia inicial para o marketing pode ser delineada junto com o plano de negócios  e inclui a determinação dos famosos 4 P’s. Lembra deles? Produto, Preço, Praça (distribuição) e Promoção (comunicação). Já falei um pouco sobre os primeiros itens em posts passados mas vale relembrar alguns pontos e acrescentar outros:

1-      Produto: a esta altura você já conhece bem o seu produto e já definiu qual é o seu diferencial e a quem ele se destina. Se ainda não está claro, pare tudo e só siga em frente quando tiver total clareza desse posicionamento.

2-      Preço: o valor de cada peça está diretamente ligado ao item anterior. Quais os benefícios que seu produto vai oferecer ao cliente em termos tangíveis e intangíveis? Este preço é compatível com a realidade do mercado e do seu público-alvo?

3-      Praça: cada canal de distribuição (loja física, atacado, e-commerce…)   tem suas vantagens e desvantagens, o mais importante é que as escolhas sejam coerentes. Se você optou por uma loja física, por exemplo, ela deve estar localizada em uma região acessível ao seu público. Já se a ideia é vender por atacado, certifique-se que suas criações tenham a ver com o perfil das multimarcas. Se o comércio eletrônico é a sua escolha, considere desde a logística do envio até o plano de comunicação virtual.

4-      Promoção: anúncios, email marketing, perfis em redes sociais, assessoria de imprensa, relações públicas… É preciso investir em tudo isso? Não necessariamente. O básico e relativamente barato é ter um site institucional e perfis em algumas redes (o Facebook continua sendo o número 1 e o Instagram, pelo apelo visual e crescente número de adeptos, vem logo em seguida. Twitter, Google+, Pinterest, Tumblr etc nem sempre são necessários). Uma assessoria de imprensa pode contribuir bastante para a recém-nascida marca aparecer na mídia, assim como uma ação pontual de RP com celebridades, blogueiras e clientes potenciais. Para anunciar é preciso fotografar uma campanha, o que envolve modelos, fotógrafo, stylist, maquiador… Se orçamento não permite, comece pelos anúncios do Facebook e do Google, e pelo envio do email marketing, fundamentais se sua venda for feita pela internet.

Uma consideração importante é que normalmente o marketing é subestimado, um grande erro tanto para marcas estabelecidas quanto para novatas. Pense o seguinte: não adianta ter o produto mais lindo, mais criativo e mais benfeito se ninguém souber que ele existe!!! Portanto, não ignore a sua importância e planeje com cuidado cada ação e estratégia. Contrate um profissional com experiência em marketing de moda ou uma consultoria que possa te dar todo o apoio necessário, incluindo o planejamento e postagens das mídias sociais. Acredite, por mais simples que pareça atualizá-las, elas são as primeiras a ser abandonadas quando a rotina frenética se instala. E nada pior para a imagem da marca do que canais de comunicação deficientes.

Por falar em imagem, este é o assunto do próximo e último post da série, na próxima semana!

Recapitulando a série:

– O Início de Tudo 
– O Formato do Negócio
– Plano de Negócios
– A Produção
– O Planejamento de Coleção 

Tufi Duek World: um Mundo à Parte

 Há cerca de um mês estava fazendo uma pesquisa sobre o Eduardo Pombal e entrei no site da Tufi Duek em busca de informações oficiais sobre o estilista. Continuei navegando e caí no blog, o TD World. Fiquei super chateada de ver como uma marca que já foi uma das grandes referências da moda brasileira está tão perdida. O blog, que supostamente deve funcionar para comunicar o universo da grife e atuar como um coadjuvante para as vendas, é um triste exemplo de mau uso das ferramentas digitais, com posts que falam mais sobre outras marcas do que sobre a própria Tufi Duek.


Depois de rolar 7 páginas, me deparei com o 1o post sobre a marca. Nas tags, outras marcas em destaque

No primeiro dia que entrei, a matéria mais recente fazia uma “comparação” entre o desfile da Gucci de primavera/verão 2013 e o desfile da TD, mostrando como a cartela de cores era semelhante…  Mais recentemente, as matérias eram sobre a “Little Black Jacket” da Chanel, as pérolas da Mikimoto, a celebração dos 30 anos da Armani Junior e os diamantes da Tiffany… Sobre a grife, a coleção, lançamentos de produtos, beleza do desfile, enfim, qualquer informação que estimule a cliente… nada! Ou melhor, tive que rolar por 7 páginas até chegar em alguma coisa! Para piorar, na nuvem de “tags mais populares” tem Dior, Chanel e Manolo Blahnik! Alguém pode me explicar qual é o objetivo disso?

Campanha “Mostra a tua cara”, de 1994

Fiquei me lembrando muito das campanhas da Forum nos anos 80 e 90 (naquela época não existia a Tufi Duek e o próprio estava à frente da companhia, que hoje pertence ao grupo AMC), quando a marca lançou o slogan “desejo do Brasil” e sempre trazia, com orgulho, elementos brasileiros em suas campanhas e desfiles. Uma delas foi “Mostra tua cara”, de 1994, comparando personalidades daqui e de fora, de forma a exaltar nosso talento (Louis Armstrong/Pixinguinha, Billie Holiday/Elis Regina, Marilyn Monroe/Leila Diniz). Apesar de algumas campanhas caírem em clichês, havia uma mensagem clara, uma vontade real de sair do lugar comum e de impactar os consumidores. Bons tempos… Que saudades do Tufi Duek!

Campanha “Welcome to Brazil”, de 1995

Resumindo: como uma das marcas que deveria ser referência e autoridade da moda brasileira quer ganhar credibilidade se comparando o tempo inteiro a outras? O blog TD World é um típico caso de perda de identidade e de uma total falta de estratégia de comunicação, que acaba se refletindo da marca como um todo. E este exemplo serve para tantas outras marcas brasileiras. Sei que o nosso setor têxtil está passando por dificuldades e que muitas empresas estão sofrendo quedas nas vendas por causa de diversos fatores, entre eles a chegada dos concorrentes internacionais. Mas não vale só culpar a economia, os altos impostos e as políticas governamentais. O que as grifes de moda nacionais estão fazendo efetivamente para manter ou recuperar sua fatia de mercado e a atenção do consumidor? Ter produto de qualidade e preço competitivo é muito pouco. O cliente quer emoção, quer identificação, quer ser conquistado! Se as portas não estiverem abertas para isso, ele não vai entrar…

Obs: quero deixar bem claro que não tenho nada contra a Tufi Duek, a Forum e o grupo AMC, pelo contrário! Gosto dos vestidos da TD e já fui cliente da marca, por isso lamento ver que uma grife com tanto potencial e tanta história não esteja tirando proveito dessas coisas para ampliar sua comunicação e atingir um número maior de consumidores. Tomara que isso mude logo.

Os Melhores Livros sobre Marketing de Moda

Publicações sobre moda, principalmente sobre estilo, não faltam no mercado, mas infelizmente títulos focados em marketing de moda – um assunto que acho fundamental para quem pensa em ingressar em qualquer carreira na área são raros. Pelo menos em português. Aqui vai uma lista de alguns livros que valem a pena.

 

Marketing & Moda – Marcos Cobra (Editora Senac): foi um precursor do gênero no Brasil e é um manual básico para entender a relação que começa antes mesmo da criação de um produto.

 

Marketing de Varejo de Moda, Uma Enfâse em Médias Empresas – Erika Schmid (Editora Qualitymark): a autora focou a pesquisa no varejo brasileiro, desde o seu nascimento até o processo de cópia e os hábitos de compra de diferentes classes. A edição foi bem limitada por isso não é muito fácil encontrá-lo.

 

Fashion Marketing – Contemporary Issues – Tony Hines e Margaret Bruce (Butterworth-Heinemann): o livro é uma compilação de vários textos, de diferentes autores sobre tudo que cerca o varejo de moda, da pesquisa à logística e renovação de estoque. Apesar de ser voltado para o mercado britânico funciona muito bem para entendermos o atual sistema da moda. À venda na Amazon.

 

Mastering Fashion Marketing – Tim Jackson e David Shaw (Palgrave Macmillan): Tim é professor na London College of Fashion e especialista em gestão de luxo, compras e marketing. David também é professor e consultor. O livro traz uma série de cases e propõe uma discussão bem contemporânea sobre o mercado. Disponível na Amazon.

 

Fashion Marketing – Mike Easey (Wiley Desktop): este aqui é um manual para estilistas que querem lançar uma marca mas não sabem como.  Também na Amazon.

 

The End of Fashion – How Marketing Changed the Clothing Business Forever – Teri Agins (William Morrow): apesar de ter sido escrito há mais de uma década, a publicação permanece super atual, mostrando a verdade “nua e crua” da indústria. Boa notícia: Teri, que é jornalista do Wall Street Journal, está preparando outro livro do gênero para 2014. Na Amazon também tem.

Em Busca da Identidade Perdida

Dizer que o consumidor está no comando, que anda estressado, confuso e ansioso é notícia velha. Da mesma forma que investir no marketing digital e nas redes sociais é fundamental para qualquer marca. Todo mundo está cansado de saber.

Boa parte das marcas brasileiras de moda já têm seus blogs estruturados, Twitter e Fan Page no Facebook, aplicativos para mobile e e-commerce. Fora as ações de relacionamento nas lojas, mimos especiais para clientes etc. Além disso, o bom momento do Brasil, que não é mais só o país do futebol e do samba, mas praticamente a salvação do mundo capitalista junto com China e Índia, colabora bastante para os consumidores abrirem a carteira, certo?

Basta conversar com alguns empresários pra descobrir que mesmo com todo esse cenário otimista, na prática as coisas não são tão fáceis. O custo de vida aumentou bastante e muita gente já deixa de comprar roupas, por exemplo, para pagar contas fixas. Ou deixa para fazer compras durante as viagens internacionais, com preços muito mais convidativos. Ou ainda procura ofertas nos sites de compras coletivas, outlets virtuais e pede a opinião dos amigos nas redes antes de adquirir um produto.

São tantas opções e possibilidades que é impossível traçar apenas uma estratégia. Planejar ações futuras e ao mesmo tempo aproveitar oportunidades circunstanciais, ouvir o cliente mas saber oferecer o que nem ele sabe que deseja, e estabelecer um diálogo virtual efetivo são dicas óbvias porém complexas de se desenvolver.

Que tal então “começar pelo começo”: a identidade da sua marca está bem definida? Se estiver, tudo fica mais fácil. Em breve, a Modalogia vai publicar uma série de posts sobre o assunto, mostrando porque a construção da identidade arquetípica é um ótimo caminho para definir e/ou consolidar a imagem da sua empresa. Tem muita novidade chegando!

5 Estratégias de Marketing para a Nova Década

É impossível imaginar a sociedade de consumo sem a atuação do marketing e inviável vender qualquer tipo de produto, sobretudo na moda, sem desenvolver uma estratégia. Não há mais espaço para o marketing intuitivo e ele se tornou tão importante para uma empresa de moda quanto o corte da roupa. Chamar a atenção de um consumidor volátil, estressado e ultra estimulado não é simples e técnicas tradicionais não o envolvem mais. Como fidelidade à marca também é coisa do passado, o desafio só cresce. Então, se o consumidor é múltiplo, o marketing também precisa atuar em várias frentes.  Reunimos aqui algumas estratégias fundamentais para quem está em busca de fortalecer sua marca no cenário contemporâneo:

Marketing sensorial: Estimular os sentidos, principalmente no ambiente de varejo, através de técnicas do marketing sensorial não é novidade. A iluminação certa, a música convidativa, a essência que traduz a identidade da marca, coleções com temas conectados e variações de produtos complementares são boas técnicas. A intenção é sempre a mesma: envolver e transportar o consumidor para que ele se sinta absorvido pelo universo da marca e convencido a comprar. Dentro destas ações vale também eventos especiais para o lançamento da coleção, oferecendo comidas, bebidas, presentes e indulgências para seduzir os consumidores. Segundo Katia Barros, estilista e sócia-fundadora da Farm, o investimento na experiência da cliente no ponto de venda é fundamental e levada super a sério pela empresa. Do cheiro da loja, à trilha, passando pela ambientação e exposição do produto, tudo tem a ver com a identidade da marca e se adequa ao conceito das coleções. O marketing sensorial é, na verdade, o branding atuando além do produto no ponto de venda e reforçando a identidade da marca.

Marketing social-virtual: A grande força do marketing atual e seu maior poder de alcance está na internet, o que ocasionou uma verdadeira revolução na relação marca-consumidor. As redes sociais expandem a comunicação e permitem um feedback imediato do consumidor. As marcas de luxo presentes no Twitter e no Facebook, que antes eram reticentes, perceberam como esta interação é importante e estabeleceram novos relacionamentos. No entanto, simplesmente abrir perfis nas redes é inútil. Dois bons exemplos são o Twitter da DKNY e o Facebook da Stella McCartney. No primeiro, foi criada uma personagem, a PR Girl, supostamente uma funcionária da empresa que dá dicas de bastidores sobre as coleções e produtos da Donna Karan e DKNY, responde às mensagens diretas e fala sobre suas atividades profissionais. O perfil tem mais de 85 mil seguidores (até 02/05/10!) e é extremamente ativo. Já Stella McCartney, que usa o Facebook e o Twitter simultaneamente para divulgar ações, eventos e a responsabilidade ambiental da marca, também interage com consumidores. A equipe de marketing responde às perguntas das clientes sobre onde encontrar peças. Com a constatação do sucesso dessas redes, o grupo Armani remodelou o site com links diretos para seus canais no Twitter, Facebook e YouTube.

O marketing online também é essencial para quem quer conquistar a geração Y, os jovens que já nasceram familiarizados com a internet, são exigentes e extremamente desconfiados. Sua força de consumo já ultrapassou a dos baby boomers e da geração X e vai crescer muito nos próximos anos, por isso conquistá-los é quase uma questão de sobrevivência. Entre as marcas de luxo que implementaram boas iniciativas está a Burberry. Ao mesmo tempo em que atinge a geração dos millennials, ela precisa reforçar sua herança e para isso criou um site interativo onde os internautas vêem, avaliam e postam fotos usando trenchcoats, o ícone da marca. As imagens da primeira campanha foram feitas por Scott Schuman, do The Sartorialist. Na campanha impressa, há duas temporadas o rosto da grife é a atriz Emma Watson, perfeita tradução da herança inglesa combinada ao novo público, fã dos filmes da série “Harry Potter” em que ela atua.

A transmissão de desfiles ao vivo, outra ferramenta recentemente explorada e que ganhou grande repercussão desde que Alexander McQueen transmitiu seu show na temporada de primavera 2010, é um artifício que a Burberry explorou e inovou. Transmissões em 3D para convidados ao redor do mundo foram organizadas para o desfile de outono 2010. Nesta mesma temporada, Marc Jacobs exibiu seu desfile no site e o CEO Robert Duffy twittou dias antes sobre a preparação, a Louis Vuitton exibiu pelo Facebook e a London Fashion Week transmitiu vários desfiles em seu site. Tudo ao vivo e assistido por milhares de clientes potenciais.

Marketing móvel: de acordo com uma matéria do WWD, o mercado de smart phones está crescendo rapidamente. Nos últimos 4 meses de 2009 o número de aparelhos vendidos cresceu 40% comparado a 2008. No ano todo foram 174.2 milhões de aparelhos enviados para as lojas. Com o sucesso dos apps para iPhone, os varejistas se vêem obrigados a criar programas que facilitem o acesso e, em muitos casos, a compra de produtos pelo celular. Empresas como Sears e Ralph Lauren desenvolveram aplicativos para diversas linhas e aparelhos, enquanto o site Net-a-Porter tem seu app para m-commerce no iPhone. Donna Karan, David Yurman, Diane von Furstenberg, Tommy Hilfiger, Chanel, D&G e Fendi são algumas das marcas que desenvolveram apps, nem todos já habilitados para o comércio, de olho no futuro. No Gilt Groupe, site que trabalha com promoções online em horários pré-determinados, a venda por telefone já responde por 5% do total durante a semana e 7% nos fins de semana.

Como as tendências apontam para um consumidor cada vez mais conectado e interessado em gadgets eletrônicos, ignorar este nicho de vendas pode significar prejuízo tanto para a imagem da marca quanto para o seu faturamento.

Marketing sustentável: ser uma marca ecológica depende do posicionamento da empresa. Mas ser uma marca sustentável será praticamente uma obrigação das empresas que queiram prosperar neste século. Isso significa implantar técnicas de produção de baixo impacto ambiental e também comunicar como os funcionários são tratados, como a matéria-prima é trabalhada e porque o seu produto vale o preço que está sendo cobrado. A inglesa Marks & Spencer é um exemplo de sustentabilidade com seu programa “Plan A”, criado há dois anos. A loja de departamentos desencoraja o uso de sacolas plásticas e o excesso de embalagens, recicla seus manequins e apóia uma empresa de lingerie no Sri Lanka a se tornar uma “eco-fábrica”. Campanhas de doações de roupa para a Oxfam são feitas regularmente e o consumidor que doa ganha um cupom de desconto na loja.

A Levi’s tem regras rígidas sobre uso de água e outras substâncias para tingir o jeans e apóia a ONG Better Cotton Initiative, que cuida das condições de trabalho dos operários do algodão, além de incentivar a doação de jeans antigos. Até a H&M, que recentemente foi pega num escândalo de descarte de roupas, agora divulga seu relatório de sustentabilidade, o “Style & Substance” listando medidas para diminuir o impacto de produção no meio ambiente.

As ações podem parecer pequenas ou simples demais, porém quando são honestas e demonstram a transparência da empresa trazem um super retorno para a imagem.

Marketing colaborativo: com tantas opções e recursos para comprar produtos, é natural que o cliente sinta-se no direito de moldar ou personalizar o item que deseja. Entre todos os tópicos abordados acima, é importante lembrar que uma forte marca de moda é aquela que dá liberdade para o seu consumidor se sentir único. A Gucci, por exemplo, desenvolveu o projeto Artisan Corner em algumas lojas e trouxe os artesãos italianos de sua sede para fazer bolsas customizadas. Desta forma, os clientes entendem mais do processo artesanal tão intrínseco à grife, o valor de uma peça e ainda saem felizes por ter uma bolsa com suas iniciais. Nas mídias sociais, outros sites além do Facebook e Twitter, conhecidos como “fashion social networks” (Polyvore, Chictopia e Lookbook, só pra citar algumas) permitem ao usuário montar looks usando roupas de diversas marcas, avaliarem o que outros internautas estão fazendo e ainda comprarem as peças.

Colaborações não diretamente feitas com o cliente, mas que agregam valor ao produto também são mais que benvindas. De Karl Lagerfeld, Stella McCartney, Comme des Garçons e Jimmy Choo, entre outros, para a H&M, passando por Kate Moss para Topshop e Longchamps, The Selby criando o “The journey of a wardrobe” para Louis Vuitton, Madonna com linha de óculos para Dolce & Gabbana e as lingeries de Natalia Vodianova para a francesa Etam, este tipo de ação demonstra versatilidade, inovação e contemporaneidade.

E a sua empresa, já trabalha algumas dessas estratégias? Ela está pronta para a nova década?